Porque ela disse “sim”

por anapaulaponce

Que me perdoem os adeptos à “solteirice” convicta: eu sou romântica para caramba…. Tenho uma enorme necessidade de troca de olhares, telefonemas no meio do dia e cinemas com pipoca aos domingos. E beijos, beijos, beijos… Acompanhados de abraços apertados, demorados, de um “eu te amo” dito, inesperadamente, no meio da rua, quando você está distraída, vendo a vitrine da sua loja preferida ou de um ” tudo vai ficar bem, porque estou ao seu lado” quando,  depois de uma daquelas reuniões em que seu chefe tenta lhe arrancar a alma em plena segunda-feira, você, estressada, liga para ele e ouvi-lo já é mais que suficiente para saber que existe no mundo um porto seguro.

Eu adoro cobertores compartilhados em manhãs chuvosas, buquês de flores com bilhetinhos escritos à mão, cafunés e séries de tv em tardes preguiçosas no sofá, caminhar de mãos dadas e dormir de conchinha.  Clichê, eu sei, mas a vida não é toda um clichê? Que me atirem pedras os que prefiram o vento gelado ao calor do casaco do amado!

Mas, ao contrário do que possa parecer, não sou daquele tipo de romântica que chora vendo filmes água com açúcar (Para ser bem sincera, eu detesto filmes do gênero romance… Sim, pois é, vai entender….) ou  que passa horas escrevendo as iniciais do nome do namorado na capa do caderno.  Não, não, eu acredito no amor de uma forma mais realista, em histórias de amor de pessoas comuns ( Até a realeza europeia está meio “demodé”, quem dirá os príncipes e princesas dos contos de fada).

Sim, porque o amor não vai em busca de cetros e coroas (Na verdade, eu até acho que ele foge deles), ele procura pessoas reais, com vidas que, à primeira vista, nem pareçam ser tão interessantes. Ele não faz distinção de classe social, credo ou time preferido. Não quer saber se você vai à missa aos domingos ou se está com os impostos em dia.

É um inconveniente este tal amor. Não pede licença, vai chegando e puxando uma cadeira. Pode ter certeza, o amor vai lhe encontrar quando você menos espera (E pode até ser que você nem esteja preparada para ele). Não, meninas, não adianta, o amor vai lhe encontrar naquele dia de TPM  e estará justamente  naquele convite para o happy hour com os amigos que você acabou de recusar. Não vai lhe encontrar linda e perfumada, com uma lingerie sexy e de cabelo escovado. O amor é, muitas vezes, impaciente e não  vai esperar você comprar aquele vestido maravilhoso com uma fenda fenomenal, nem vai surgir quando você passe em um concurso e esteja finalmente com a vida estabilizada. Na verdade, o amor está pouco se lixando para a sua carreira ou para a sua conta bancária.

Ele vai aparecer em uma tarde chuvosa, quando aquele amigo que você não dava tanta bola resolver passar inesperadamente na sua casa para lhe convidar para um sorvete. Ué, mas não estava chovendo? Pois é, o amor também não lê jornais e ignora completamente a previsão do tempo. É um folgado esse tal amor! Invade a nossa privacidade, a nossa casa e as nossas madrugadas como aquela visita inconveniente que não nos avisa que está chegando. Pois é, o amor é um grande “sem noção” pois quem mais poderia sacudir a sua vida assim, como um furacão e lhe obrigar a refazer seus planos? Quem mais lhe faria largar tudo e recomeçar de uma maneira totalmente diferente, em outro lugar, em um outro país, quem sabe? E inventar uma desculpa esfarrapada para passar na frente da casa dele? E passar a acreditar em finais felizes, mesmo que a vida já tenha tantas vezes tentado lhe mostrar o contrário? Quem mais seria responsável por você estar, neste exato minuto, com os olhos marejados, suspirando, enquanto lê este texto? E lhe faria dizer “sim, eu aceito casar com você “?

Brenda e Denis, eu não sou boa com adivinhações. Mas de uma coisa estou certa: ninguém mais no mundo poderia ter unido tão fortemente vocês senão este louco, “sem noção” e –  por que não? – sábio senhor dos nossos destinos. Sim, esse tal AMOR que as minhas lentes tiveram o imenso prazer de registrar.

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